Assassinato de liderança do MAB no Pará, Dilma Silva, causa preocupação com a situação dos defensores de Direitos Humanos no Brasil

Na sexta-feira, 22/03/2019, a Coordenadora Regional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) no Pará, Dilma Ferreira Silva, foi brutalmente assassinada em sua casa, juntamente com seu esposo e um amigo da família. Segundo as investigações, as vítimas foram amarradas, amordaçadas e esfaqueadas. Não se sabe ao certo em que circunstâncias ocorreu o crime, mas o MAB acredita que a motivação esteja relacionada com a atuação pró-Direitos Humanos da ativista.

Tal acontecimento, que não se mostra isolado na realidade brasileira e mundial, causa uma preocupação com um agravamento da situação de risco dos defensores de Direitos Humanos no Brasil. A segurança desses ativistas tem sido colocada em xeque em um momento em que a própria atuação da sociedade civil  e dos movimentos sociais está sofrendo um processo de desqualificação e de criminalização por parte de atores conservadores do campo político brasileiro.

Segundo o relatório “A que preço?” da Global Witness, em 2017 o Brasil teve o maior número de mortes de defensores de Direitos Humanos ligados ao campo já registrado em um ano em qualquer país até então, um total de 57 mortes. A gravidade da situação fica evidente quando o dado é analisado juntamente com o número de mortes de ativistas do campo no mundo,  207 no total.

Já a Anistia Internacional aponta que a maioria dos assassinatos documentados de defensores e defensoras de Direitos Humanos em todo mundo aconteceram no Brasil. Apenas nos nove primeiros meses de 2017, 62 defensores foram assassinados, segundo o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, uma coalizão da sociedade civil, mais do que no ano anterior. A maioria foi morta em conflitos por terras e recursos naturais. Segundo o relatório, cortes no orçamento e falta de vontade política para priorizar a proteção aos defensores de Direitos Humanos resultaram no desmonte do Programa Nacional de Proteção, deixando centenas de pessoas expostas a um alto risco de ataques.

Confira a nota divulgada pelo MAB:

Carta da Coordenação Regional do MAB

O Movimento dos Atingidos por Barragens está denunciando o assassinato de atingidos pela barragem de Tucuruí no Pará. Entre os atingidos está Dilma Ferreira Silva, da Coordenação Regional do MAB em Tucuruí.

Em 2011, Dilma participou de audiência com a presidenta da República Dilma Rousseff, entregando um documento onde pedia uma política nacional de direitos para os atingidos por Barragens e atenção especial as mulheres atingidas.

Segundo informações preliminares, a liderança foi assassinada junto ao esposo e familiares. O MAB ainda não sabe ao certo o numero de pessoas assassinadas e nem os motivos do crime.
O assassinato de Dilma é mais um momento triste para a história dos atingidos por barragens, que celebravam no dia de hoje o Dia Internacional da Água.

O MAB exige das autoridades a apuração rápida deste crime e medidas de segurança para os atingidos por barragens em todo o Brasil.

Queremos águas pra a vida, e não para a Morte!

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