{"id":13368,"date":"2018-06-11T10:21:13","date_gmt":"2018-06-11T13:21:13","guid":{"rendered":"http:\/\/homacdhe.com\/?p=13368"},"modified":"2025-06-23T13:04:36","modified_gmt":"2025-06-23T16:04:36","slug":"quando-o-multilateralismo-convem-criticas-sobre-as-solucoes-globais-do-g20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/2018\/06\/11\/quando-o-multilateralismo-convem-criticas-sobre-as-solucoes-globais-do-g20\/","title":{"rendered":"Quando o multilateralismo conv\u00e9m: cr\u00edticas sobre as solu\u00e7\u00f5es globais do G20"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Artigo escrito pelas Prof\u00aa. Manoela Roland, coordenadora do Homa\/UFJF, Prof\u00aa. Cristina Reis da UFABC, Prof\u00aa. Tassia Pinheiro da UNIVASF e pelo Adhemar Mineiro , integrante da REBRIP &#8211; Rede Brasileira pela Integra\u00e7\u00e3o dos Povos -, faz uma an\u00e1lise cr\u00edtica da postura do G7 e do G20, problematizando a quest\u00e3o do multilateralismo, durante o Global Solutions Summit 2018, que ocorreu no final de maio em Berlim.<\/p>\n<p>Publicado na coluna Luis Nassif do jornal GGN<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/jornalggn.com.br\/noticia\/quando-o-multilateralismo-convem-criticas-sobre-as-solucoes-globais-do-g20\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando o multilateralismo conv\u00e9m: cr\u00edticas sobre as solu\u00e7\u00f5es globais do G20<\/a><\/h1>\n<p style=\"text-align: right;\"><b><\/b>SEX, 08\/06\/2018 &#8211; 10:20<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: right;\"><b><strong>por Cristina Fr\u00f3es de Borja Reis,\u00a0<\/strong><\/b><b><strong>Tassia Rabelo de Pinheiro,\u00a0<\/strong><\/b><b><strong>Manoela Roland\u00a0<\/strong><\/b><b><strong>e Adhemar Mineiro<\/strong><\/b><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Com a atua\u00e7\u00e3o \u201cmais nacionalista\u201d de Trump nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais; o Brexit, a vit\u00f3ria de uma maioria euroc\u00e9tica nas elei\u00e7\u00f5es da It\u00e1lia, e os movimentos contra a Uni\u00e3o Europeia; a enorme quantidade de migrantes e refugiados, as controv\u00e9rsias pol\u00edticas na R\u00fassia e em diversos pa\u00edses emergentes, como Nicar\u00e1gua, Venezuela, e Brasil \u2013 incluindo a interven\u00e7\u00e3o militar no Rio de Janeiro; a escalada mundial do conservadorismo e da ader\u00eancia aos discursos fascistas, o G20 est\u00e1 obviamente preocupado.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Por isso na C\u00fapula de Berlim ao final de maio passado sobre as Solu\u00e7\u00f5es Globais a inten\u00e7\u00e3o expl\u00edcita era buscar uma boa\u00a0narrativa para convencer as sociedades a primar pelo multilateralismo e tamb\u00e9m pelos valores cl\u00e1ssicos das rela\u00e7\u00f5es externas do p\u00f3s-guerra, assim resumidos na declara\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia na ocasi\u00e3o dos 50 anos do Tratado de Roma: paz e liberdade, democracia e Estado de direito, respeito e responsabilidade compartilhada, prosperidade e seguridade, toler\u00e2ncia e participa\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e solidariedade. A c\u00fapula foi organizada para assessorar o encontro do T20 na Argentina em 2018 (Think 20, uma rede de institutos de pesquisa e think tanks para assessorar pol\u00edticas para o G20)\u00b9.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Com a participa\u00e7\u00e3o da Chanceler alem\u00e3 Angela Merkel, ministros de Estado de alguns pa\u00edses do G7, laureados com pr\u00eamio Nobel de Economia, a reuni\u00e3o contou com debates intensos entre empres\u00e1rios, governantes, pesquisadores e acad\u00eamicos, membros de ONGS, sindicatos e da sociedade civil em torno das 10 solu\u00e7\u00f5es globais elencadas pelo T20\u00b2:<\/p>\n<ol style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\n<li>O futuro do trabalho e da educa\u00e7\u00e3o na era digital;<\/li>\n<li>A\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e infraestrutura para o desenvolvimento;<\/li>\n<li>Seguran\u00e7a alimentar e agricultura sustent\u00e1vel;<\/li>\n<li>Coes\u00e3o social, governan\u00e7a global e o futuro da pol\u00edtica;<\/li>\n<li>Coopera\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica;<\/li>\n<li>Agenda 2030 para o desenvolvimento sustent\u00e1vel;<\/li>\n<li>Com\u00e9rcio, investimento e coopera\u00e7\u00e3o para taxas;<\/li>\n<li>Equidade econ\u00f4mica de g\u00eanero;<\/li>\n<li>Uma arquitetura financeira internacional para estabilidade econ\u00f4mica;<\/li>\n<li>Migra\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Uma primeira critica se refere ao uso da express\u00e3o &#8220;narrativa&#8221;, pois da forma que foi colocada esteve descolada de um amplo diagnostico sobre os fatores estruturais politicos e econ\u00f4micos que levariam \u00e0s solu\u00e7\u00f5es globais. Ademais, enquanto somente um discurso para provocar adesao, o G20 simula uma falsa despretensao, como se qualquer um pudesse formular e impor uma nova narrativa no \u00e2mbito nacional e principalmente internacional \u2013 o que na realidade depende das relacoes de poder envolvidas. Portanto, da forma como apresentado nas discussoes, a tal narrativa que querem construir mais parece uma artimanha ret\u00f3rica que justamente afasta os questionamentos mais estruturais e sist\u00eamicos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s assimetrias de poder e riqueza.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Nesse sentido, chama a aten\u00e7\u00e3o o conceito central da nova narrativa, o\u00a0recoupling. Segundo os analistas que o sustentam, entre 1945 e 2008 o crescimento econ\u00f4mico esteve de m\u00e3os dadas com o desenvolvimento social, processo que teria sido interrompido com a crise de 2008, de tal modo que seriam desej\u00e1veis medidas que visassem acopl\u00e1-los novamente (KELLY, C; SHEPARD, B, 2018). Em que se pesem as desigualdades internas e externas do Sistema Mundial, nada mais equivocado, porque bastante distante da realidade de pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Sul e at\u00e9 mesmo do Norte. Ou seja, com poucas exce\u00e7\u00f5es, aqueles processos n\u00e3o estiveram historicamente acoplados, muito menos seguiram padr\u00f5es homog\u00eaneos nas diversas sociedades globais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Em uma segunda cr\u00edtica a ser colocada relembra-se que o G20 teve um hist\u00f3rico de seletividade. Primeiramente, formou-se o G7 nos anos setenta ap\u00f3s a crise cambial de Bretton Woods, reunindo Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e Reino Unido, como um foro que inclu\u00eda somente os ministros da Fazenda e presidentes dos bancos centrais dos pa\u00edses participantes (contando ainda com representantes do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial). Assim, de in\u00edcio representava as economias mais poderosas do planeta, acrescidas da R\u00fassia nos anos noventa, e que em 1999 passou a ser G20 por causa do crescente poder e relev\u00e2ncia econ\u00f4mica dos pa\u00edses emergentes. A partir da crise financeira internacional de 2008, o G20 passou a ter uma agenda mais extensa, respondendo \u00e0s cr\u00edticas ao seu vi\u00e9s financeiro e tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria necessidade de maior abrang\u00eancia de sua influ\u00eancia. E tamb\u00e9m deixou de ser frequentado apenas por ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais, para ser um G20 de chefes de governo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Assim hoje o G20 representa 85% do produto bruto, 80% dos investimentos, 75% do com\u00e9rcio e 66% da popula\u00e7\u00e3o mundiais (Fonte: https:www.g20.org). Ademais, dentro do G20 as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e militares s\u00e3o muito assim\u00e9tricas, concentradas nos pa\u00edses que integram o G7, mais China e \u00a0R\u00fassia. Ficam de fora cerca de 180 pa\u00edses que constituem as economias mais pobres do planeta. Sendo um clube, n\u00e3o deixa de ser contradit\u00f3rio que sua nova narrativa tenha se voltado a defender o multilateralismo com todas as for\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Ent\u00e3o, como terceira cr\u00edtica, a contraposi\u00e7\u00e3o do \u201cnacionalismo\u201d ao \u201cmultilateralismo\u201d \u00e9 um tanto simplificadora, porque esses pa\u00edses est\u00e3o na verdade liderando as atua\u00e7\u00f5es regionais e os tratados preferenciais de investimentos e com\u00e9rcio \u2013 variando o discurso conforme lhes conv\u00eam. E ainda, s\u00e3o os l\u00edderes das institui\u00e7\u00f5es ditas multilaterais e dos tratados que organizam os regimes de propriedade, com\u00e9rcio de bens e servi\u00e7os, preserva\u00e7\u00e3o do meio-ambiente, seguran\u00e7a e paz internacional. \u00a0Nesse sentido, \u00e9 emblem\u00e1tico que a \u00c1frica surja nas solu\u00e7\u00f5es mais como uma regi\u00e3o para coopera\u00e7\u00e3o, do que como realmente integrante dos fluxos de bens, servi\u00e7os, capitais e conhecimento mundiais \u2013 o que evidencia sua condi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica marginal inclusive do ponto de vista retorico para o G20.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Considerando as dez solu\u00e7\u00f5es, a quarta cr\u00edtica \u00e9 a de que embora avancem na tentativa de identifica\u00e7\u00e3o e resolu\u00e7\u00e3o de problemas, s\u00e3o paliativas; est\u00e3o pouco preocupadas em alterar a estrutura das desigualdades globais. Tanto por causa do escopo, quanto do conte\u00fado. Por um lado, esses problemas t\u00eam a ver com o ponto de partida te\u00f3rico assentado na ortodoxia nas ci\u00eancias humanas, sobretudo na Economia. Isso ajuda a explicar porque, entre os temas, n\u00e3o figuram as origens e tamb\u00e9m consequ\u00eancias distributivas do modo de produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio mundiais, associadas \u00e0s diferen\u00e7as de dota\u00e7\u00f5es iniciais dos fatores trabalho e capital, de propriedade intelectual sobre a tecnologia \u00a0e conhecimento (sobretudo no que se refere ao que vem por a\u00ed com a manufatura avan\u00e7ada e a ind\u00fastria 4.0), ao acesso privilegiado a fontes de mat\u00e9rias-primas, alimentos e energia, bem como a alta concentra\u00e7\u00e3o dos mercados em torno de poucas empresas oligopolistas de origem no G7 &#8211; que juntamente com determinantes socioecon\u00f4micos internos explicam o desemprego estrutural, mis\u00e9ria, fome, desequil\u00edbrios ambientais, guerras e outras mazelas do mundo.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Por outro lado, e como uma quinta cr\u00edtica, diretamente associada \u00e0s anteriores, as solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o conseguem deixar de ser euroc\u00eantricas e economicistas. Na lente do G7, o desenvolvimento \u00e9 um conceito baseado em suas pr\u00f3prias experi\u00eancias e interesses, gerando recomenda\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas que reproduzem suas institui\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es de classes, ainda que com um olhar mais atento para as suas falhas internas. Reconheceram-se, por exemplo, exist\u00eancia de desigualdades mundiais de renda e de g\u00eanero, desequil\u00edbrios ambientais, p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o nas popula\u00e7\u00f5es mundiais, domin\u00e2ncia das institui\u00e7\u00f5es financeiras e das m\u00eddias nas rela\u00e7\u00f5es internacionais econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais \u2013 mas, como j\u00e1 dito, n\u00e3o procuraram as causas desses problemas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Assim, vale fazer alguns destaques das discuss\u00f5es sobre as solu\u00e7\u00f5es na c\u00fapula de Berlim. Ainda que sub-representadas dentre os panelistas, houve intensa participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas discuss\u00f5es colocadas pelo p\u00fablico da confer\u00eancia (ainda que, em geral, nos dez minutos finais de cada painel). Exigimos solu\u00e7\u00f5es para al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es de acesso e remunera\u00e7\u00e3o nos mercados de trabalho, chegando em tem\u00e1ticas mais profundas como a cultura do ass\u00e9dio e viol\u00eancia. Essas e outras reivindica\u00e7\u00f5es eram necess\u00e1rias pois, afinal, a quest\u00e3o de g\u00eanero n\u00e3o foi abordada de maneira estruturante nas solu\u00e7\u00f5es &#8211; apenas como um tema isolado e adjacente, sendo sintom\u00e1tico que o seu painel tenha sido um dos mais esvaziados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Sobre o futuro do emprego e do trabalho, enfatizou-se a preocupa\u00e7\u00e3o com os efeitos adversos da digitaliza\u00e7\u00e3o, embora poucas solu\u00e7\u00f5es concretas tenham sido apresentadas. Os n\u00fameros apresentados s\u00e3o alarmantes, talvez como estrat\u00e9gia discursiva, com ampla redu\u00e7\u00e3o do emprego a partir da ado\u00e7\u00e3o das novas tecnologias da ind\u00fastria 4.0. Falou-se na necessidade de se modernizar a educa\u00e7\u00e3o e a capacita\u00e7\u00e3o das pessoas neste novo cen\u00e1rio, de se ampliar regula\u00e7\u00e3o nos mercados de trabalho e de bens e servi\u00e7os, desenvolver seguran\u00e7a cibern\u00e9tica, etc. Entretanto, a perspectiva dos debates era nitidamente euroc\u00eantrica, em que foram exaltados os benef\u00edcios da internacionaliza\u00e7\u00e3o das novas formas de energia, robotiza\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia artificial surgidas no centro, mas pouco atentaram para as particularidades de economias perif\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o as tem\u00e1ticas de com\u00e9rcio e finan\u00e7as, a defesa do multilateralismo no plano do discurso destoou fortemente da pr\u00e1tica, que tamb\u00e9m conflita com os pressupostos te\u00f3ricos da an\u00e1lise utilizada para as solu\u00e7\u00f5es. Se por um lado a narrativa continuava privilegiando abertura econ\u00f4mica e financeira, mantendo o discurso de uma globaliza\u00e7\u00e3o virtuosa que melhora a vida das pessoas em todos os pa\u00edses devido ao acesso a uma maior quantidade e qualidade de produtos e servi\u00e7os, por outro (e devido \u00e0s conquistas democr\u00e1ticas das sociedades desses pa\u00edses que permite uma postura pol\u00edtica mais cr\u00edtica e militante dos grupos sociais), n\u00e3o abrem m\u00e3o de protecionismos e barreiras de mercado \u00a0como os subs\u00eddios agr\u00edcolas da Uni\u00e3o Europeia, garantia dos direitos de propriedade do TRIPS, clausulas especiais de comercio, etc. Mais al\u00e9m, as politicas concretas para reduzir o poder das institui\u00e7\u00f5es financeiras nas rela\u00e7\u00f5es internacionais foram bem t\u00edmidas, tal como o debate sobre tributa\u00e7\u00e3o de lucros e fortunas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Quanto ao desenvolvimento sustent\u00e1vel e seguran\u00e7a alimentar, o debate centrou-se na capacidade que inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas poderiam vir a ter para ampliar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de alimentos e, por sua vez, a seguran\u00e7a alimentar, bem como em solu\u00e7\u00f5es individuais, iniciativas de empresas e ONGs que contribuiriam com ambas as pautas. Ratificaram a import\u00e2ncia dos objetivos do mil\u00eanio de desenvolvimento sustent\u00e1vel da ONU, mas solu\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas relacionadas a mudan\u00e7as do padr\u00e3o de consumo e produ\u00e7\u00e3o vigente passaram ao largo. A reforma agr\u00e1ria, realizada d\u00e9cadas atr\u00e1s nos pa\u00edses do centro do capitalismo e centrais para o seu desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas ainda um sonho distante em na\u00e7\u00f5es como o Brasil, n\u00e3o teve lugar no debate.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">As solu\u00e7\u00f5es tampouco entraram devidamente na tem\u00e1tica da viol\u00eancia global, comercio de armas e trafico, furtando-se ao debate sobre assassinatos, estupros, guerras que massacram milhares de pessoas ano a ano. Entretanto, na discuss\u00e3o sobre migra\u00e7\u00e3o, houve defesa n\u00edtida de acolhimento e socializa\u00e7\u00e3o dos refugiados, com a proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas mais inclusivas, como a regra de integrar todas as crian\u00e7as migrantes ao sistema educacional dos pa\u00edses em que elas chegam para viver. No que tange a coes\u00e3o social, a importante constata\u00e7\u00e3o da necessidade de a\u00e7\u00f5es para diminuir a fragmenta\u00e7\u00e3o social, mostrar cuidado e aten\u00e7\u00e3o para com as pessoas, resgatar a coopera\u00e7\u00e3o e a solidariedade, facilitar e elevar o di\u00e1logo entre os grupos sociais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Vale ressaltar que o tom mai social da narrativa tem sido conferido pela Alemanha, anterior presidente do G20 em 2017, reproduzindo para o contexto internacional os seus conflitos internos relativos a ascensao da direita e do nacionalismo, em contraposicao ao seu historico Estado de Bem-Estar social, de base trabalhista e grande promovedora da Uniao Europeia. Como lider da principal economia da Zona do Euro, Angela Merkel e seus ministros das Financas, Relacoes Exteriores e tambem do Meio-ambiente assumiram que foram bastante beneficiados pela globalizacao, evidenciando a ambicao germanica de manter e ate mesmo fortalecer seu protagonismo regional e mundial, inclusive como uma das liderancas do novo paradigma tecnologico digital. Entretanto, nao aderem totalmente ao discurso neoliberal sobre a atuacao esatal, pois embora tenham defendido o livre-comercio, reafirmaram a necessidade de se fortalecer a democracia e cuidar dos direitos dos trabalhadores, garantindo que nao diferenciais exagerados entre os contornos salariais das diferentes profissoes, investir na provisao de bens e servicos publicos de qualidade, regular mercados \u2013 inclusive a seguridade das cadeias de valor, acolher refugiados e manter um padrao de vida digno para os cidadaos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Claro que uma narrativa mais humanista e de bem-estar social proposta pelo T20 \u00e9 prefer\u00edvel ao conservadorismo identit\u00e1rio que exacerba fragmenta\u00e7\u00f5es sociais, por\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o convincentes para o pensamento cr\u00edtico do Sul. A gente precisa mesmo planejar as nossas solu\u00e7\u00f5es para os problemas globais, construindo ent\u00e3o narrativas dos pa\u00edses em desenvolvimento sobre como melhorar a vida das fam\u00edlias, promover paz e a coes\u00e3o social e lidar com os desafios que vem com a digitaliza\u00e7\u00e3o, os novos acordos e regula\u00e7\u00e3o internacional \u2013 que constituem um cen\u00e1rio de maior concentra\u00e7\u00e3o de poder das grandes empresas transnacionais e dos pa\u00edses do G7 nas rela\u00e7\u00f5es centro\/ periferia do Sistema Mundial. Solu\u00e7\u00f5es Globais n\u00e3o ser\u00e3o constru\u00eddas desarticuladas das estruturas de classe inter-estatais e a partir somente de vis\u00f5es extremamente particularistas de mundo, que na verdade n\u00e3o est\u00e3o comprometidas em alterar as desigualdades de poder e riqueza internacionais.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">Por fim, uma men\u00e7\u00e3o de lamento. Embora a presen\u00e7a da Argentina estivesse forte no evento porque hospeda o T20 eo G20 em 2018, o mesmo nao se pode afirmar do Brasil e dos outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Al\u00e9m de poucos representantes dentre os panelistas e p\u00fablico, mal est\u00e1vamos identificados nas an\u00e1lises das solu\u00e7\u00f5es globais. Embora nosso pa\u00eds esteja entre as maiores popula\u00e7\u00f5es e economias mundiais, atua mais fracamente no comercio e finan\u00e7as, tendo tamb\u00e9m enfraquecido sua influ\u00eancia pol\u00edtica nas rela\u00e7\u00f5es internacionais durante o Governo Temer \u2013 revertendo a crescente participa\u00e7\u00e3o que marcou os governos de Lula e Dilma (destacando-se a atua\u00e7\u00e3o de Celso Amorim). Esse \u00e9 um dos aspectos do golpe de 2016, cujo car\u00e1ter antidemocr\u00e1tico foi devidamente registrado pela gente na c\u00fapula de Berlim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><em><b><strong>Cristina Fr\u00f3es de Borja Reis &#8211;\u00a0Prof\u00aa. Dr\u00aa. de Economia e tamb\u00e9m do Bacharelado de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais na Universidade Federal do ABC (UFABC) , IPODI\/ Marie Curie\u00a0post-doctoral fellow na Technische Universit\u00e4t Berlin, Alemanha.<\/strong><\/b><\/em><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><em><b><strong>Tassia Rabelo de Pinheiro &#8211; Prof\u00aa. Dr\u00aa. de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal do Vale do S\u00e3o Francisco (UNIVASF).<\/strong><\/b><\/em><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><em><b><strong>Manoela Roland- Prof\u00aa. Dr\u00aa. de Direito Internacional, e coordenadora do Homa &#8211; Centro de Direitos Humanos e Empresas, da Universidade Federal de Juiz de Fora.<\/strong><\/b><\/em><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><em><b><strong>Adhemar Mineiro &#8211;\u00a0Assessor da Secretaria de Relacoes Internacionais da Central Unica dos Trabalhadores (CUT) e da REBRIP.<\/strong><\/b><\/em><\/i><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00b9 Grupo dos 20, foro internacional para coopera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, financeira e pol\u00edtica composto pela Uni\u00e3o Europeia, Alemanha, Ar\u00e1bia Saudita, Argentina, Austr\u00e1lia, Brasil, Canada, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, Franca, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, It\u00e1lia, Jap\u00e3o, M\u00e9xico, Reino Unido, R\u00fassia, \u00c1frica do Sul e Turquia<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400; text-align: justify;\">\u00b2 Para conhecer melhor o conte\u00fado, acesse: https:\/\/t20argentina.org\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo escrito pelas Prof\u00aa. Manoela Roland, coordenadora do Homa\/UFJF, Prof\u00aa. Cristina Reis da UFABC, Prof\u00aa. Tassia Pinheiro da UNIVASF e pelo Adhemar Mineiro , integrante da REBRIP &#8211; Rede Brasileira pela Integra\u00e7\u00e3o dos Povos -, faz uma an\u00e1lise cr\u00edtica da postura do G7 e do G20, problematizando a quest\u00e3o do multilateralismo, durante o Global Solutions [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":13369,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[55,52],"tags":[],"class_list":["post-13368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13368"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13370,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13368\/revisions\/13370"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/homacdhe.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}