Typifying the effects of litigation in companies and social movements

Cristiana Losekann[1]

Resumo
O presente artigo problematiza os efeitos do uso que movimentos sociais fazem do litígio enquanto uma estratégia em processos de ação coletiva contra grandes empresas transnacionais. O objetivo central é apresentar uma tipologia que permita avançar nas investigações sobre o tema tendo em vista que este é pouco pesquisado. A abordagem é fundamentalmente teórica, inscrita no campo das ciências sociais, mas derivada de observações relativas a um conjunto de pesquisas empíricas sobre o uso de estratégias judiciais em conflitos ambientais no Brasil, nas últimas duas décadas.

Palavras-chave: Litígio estratégico. Movimentos sociais. Mobilização do direito. Efeitos. Conflitos socioambientais

 

Abstract
In social movements, litigation is used to bring collective actions against transnational corporations. The effects of this strategy are discussed in the current paper. The main objective is to present a typology that advances research on this subject, as literature is scarce. A social scientific approach is adopted. Data is derived from the observations of a set of empirical studies concerning the use of legal strategies in environmental conflicts in Brazil over the last two decades.

Keywords: Strategic litigation. Social movements. Legal mobilization. Effects. Socioenvironmental conflicts.

 

Resumen
El presente artículo problematiza los efectos del uso que movimientos sociales hacen del litigio como una estrategia en acciones colectivas en contra de grandes empresas transnacionales. El objetivo central es presentar una tipología que permita avanzar en las investigaciones acerca del tema teniendo en vista que este tema es poco investigado. El abordaje es fundamentalmente teórico, en el área de las ciencias sociales, pero derivado de observaciones relativas a un conjunto de investigaciones empíricas sobre el uso de estrategias judiciales en conflictos ambientales en Brasil, en las dos últimas décadas.

Palabras clave: Litigio estratégico. Movimientos sociales. Movilización del derecho. Efectos. Conflictos socioambientales.

1Master’s Degree and Ph.D. in Political Science from the Federal University of Rio Grande do Sul (Universidade Federal do Rio Grande do Sul–UFRGS), Professor at the Federal University of Espírito Santo (Universidade Federal do Espírito Santo-UFES), Department of Social Sciences and Post-graduate Programme in Social Sciences; cristiana.losekann@ufes.br; http://lattes.cnpq.br/6484935860818055.

Tipificando os efeitos de litígios entre empresas e movimentos sociais

Cristiana Losekann[1]

 

Resumo
O presente artigo problematiza os efeitos do uso que movimentos sociais fazem do litígio enquanto uma estratégia em processos de ação coletiva contra grandes empresas transnacionais. O objetivo central é apresentar uma tipologia que permita avançar nas investigações sobre o tema tendo em vista que este é pouco pesquisado. A abordagem é fundamentalmente teórica, inscrita no campo das ciências sociais, mas derivada de observações relativas a um conjunto de pesquisas empíricas sobre o uso de estratégias judiciais em conflitos ambientais no Brasil, nas últimas duas décadas.

Palavras-chave: Litígio estratégico. Movimentos sociais. Mobilização do direito. Efeitos. Conflitos socioambientais

 

Abstract
In social movements, litigation is used to bring collective actions against transnational corporations. The effects of this strategy are discussed in the current paper. The main objective is to present a typology that advances research on this subject, as literature is scarce. A social scientific approach is adopted. Data is derived from the observations of a set of empirical studies concerning the use of legal strategies in environmental conflicts in Brazil over the last two decades.

Keywords: Strategic litigation. Social movements. Legal mobilization. Effects. Socioenvironmental conflicts.

 

Resumen
El presente artículo problematiza los efectos del uso que movimientos sociales hacen del litigio como una estrategia en acciones colectivas en contra de grandes empresas transnacionales. El objetivo central es presentar una tipología que permita avanzar en las investigaciones acerca del tema teniendo en vista que este tema es poco investigado. El abordaje es fundamentalmente teórico, en el área de las ciencias sociales, pero derivado de observaciones relativas a un conjunto de investigaciones empíricas sobre el uso de estrategias judiciales en conflictos ambientales en Brasil, en las dos últimas décadas.

Palabras clave: Litigio estratégico. Movimientos sociales. Movilización del derecho. Efectos. Conflictos socioambientales.

 

1 Mestre e Doutora em Ciência Política pela UFRGS, Professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Departamento de Ciências Sociais e Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais; cristiana.losekann@ufes.br; http://lattes.cnpq.br/6484935860818055.

The Dynamics of Energy Policy Securitization in Brazil and the Consequences for Tribal Peoples

Alexandre Andrade Sampaio[1]

Matthew McEvoy[2]

 

“The dominant discourse, a universalist and competent discourse that excluded indigenous societies throughout history, idealized and naturalized cultural differences sometimes as barbarians and savages, sometimes as romantic and folkloric, but, always, and especially, as obstacles to the integration, unification and development of the State.” (Justice Antonio Souza Prudente in §1st Federal Regional Tribunal of Brazil, 2012)

Abstract
The present article presents securitization theory and applies it to energy policy in Latin America. The article’s focus is on how the Brazilian State marginalizes tribal land claims by securitizing energy production in order to pursue so-called development projects in the energy sector. This practice occurs via the utilization of a procedural instrument known as ‘Security Suspension’, the origins and consequences of which are examined in this work. The research suggests that contrary to what is affirmed by the State, this securitization does not benefit the population at large, which raises a question as to why these projects are really being carried out. While a plethora of tribal peoples’ human rights are violated by this practice that perpetuates a policy directed at the marginalization of these minorities, the interest of the majority of the population in the preservation of the environment is sidelined.

Keywords: Securitization. Tribal Peoples. Security Suspension. Brazil. Development Projects.

 

Resumo
O presente artigo apresenta a teoria da securitização e a aplica à política energética na América Latina. O trabalho foco em como o Estado brasileiro marginaliza reivindicações das terras tribais ao securitizar a produção energética com o objetivo de perseguir o assim chamado projeto de desenvolvimento no setor energético. Essa prática ocorre via uso de um instrumento procedimental conhecido como “Suspensão de Segurança”, cujas origens e consequências são examinadas neste trabalho. A pesquisa sugere que, ao contrário do que é afirmado pelo Estado, essa securitização não beneficia a população como um todo, o que levanta a questionamentos sobre a razão pela qual esses projetos estão realmente sendo levados a cabo. Enquanto uma miríade de direitos humanos das populações tribais sãoviolados por essa prática que perpetua uma política direcionada à marginalização dessas minorias, o interesse da maioria da população na preservação do meio-ambiente é deixado de lado.

Palavras-chave: Securitização. Populações Tribais. Suspensão de Segurança. Brasil. Projetos de Desenvolvimento.

 

Resumen
El presente artículo presenta la teoría de la securitización y la aplica a la política energética en América Latina. El trabajo se centra en como el Estado brasileño margina reivindicaciones de las tierras tribales al promover la securitización de la producción energética con el objetivo de buscar el llamado proyecto de desarrollo en el sector energético. Esa práctica sucede a través del uso de un instrumento procedimental conocido como “Suspensão de Segurança”, cuyos orígenes y consecuencias son examinados en este trabajo. La investigación sugiere que, al contrario de aquello que el Estado afirma, esa securitización no trae beneficio a la población en la colectividad, lo que aumenta los cuestionamientos sobre la razón por la cual eses proyectos están realmente llevándose a cabo. Mientras una infinidad de derechos humanos de los pueblos tribales son violados por esa práctica que perpetua una política dirigida a la marginación de esas minorías, el interés de la mayoría de la población en la preservación del medio ambiente es dejado a un lado.

Palabras clave: Securitización. Pueblos Tribales. Suspensão de Segurança. Brasil. Proyectos de Desarrollo.

 

[1] Brazilian lawyer and holds an LL.M. (first class honours) in International Human Rights Law from the Irish Centre for Human Rights, National University of Ireland – Galway and an MSc in Human Rights from the London School of Economics, where he was a Chevening scholar. He is currently Policy and Programs Coordinator in the International Accountability Project. He has contributed to the work of the Special Procedures Branch of the United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights and the Center for Justice and International Law. He has also been a Programme Coordinator of Article 19 South America and a human rights attorney at the Interamerican Association for Environmental Defense.

[2] Human rights advocate who currently works as a Research Associate in a UK-based human rights organisation, which promotes increased transparency, and accountability in the international trade of military, security and policing equipment. His work has included advocating for the protection of human rights defenders with Front Line Defenders and in the Special Procedures Branch of the Office of the High Commissioner for Human Rights in Geneva, as well as defending the economic, social and cultural rights of Mexico’s most marginalised groups with ProDESC. He holds an LLB in Law and European Studies and an LLM in International Human Rights Law.

Direitos das crianças, controle social e práticas empresariais: mecanismos de enfrentamento às violações de direitos humanos no contexto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Assis da Costa Oliveira[1]

 

Resumo
O artigo analisa a experiência de responsabilização jurídica do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) em relação aos direitos sexuais de crianças e adolescentes a partir de estratégias político-jurídicas do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Altamira (CMDCA), estado do Pará, no contexto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. De início, discutem-se aspectos teórico-normativos da relação entre direitos das crianças, controle social e práticas empresariais. Depois, faz-se análise detida do processo e do conteúdo do Pacto de Compromisso elaborado entre CMDCA e CCBM. Por fim, reflete-se sobre os limites e as possibilidades de se estabelecer um papel mais ativo do controle social e dos direitos das crianças e dos adolescentes na regulação das práticas empresariais.

Palavras-chave: controle social; direitos das crianças; empresas; grandes empreendimentos; UHE Belo Monte.

 

Abstract
The article analyzes the experience of legal liability of the Belo Monte Constructor Consortium (CCBM) in relation to the sexual rights of children and adolescents from political and legal strategies of the Municipal Council for the Rights of Children and Adolescents of Altamira (CMDCA), state Pará, in the context of construction of the Belo Monte Hydroelectric Plant. At first, discuss theoretical and normative aspects of the relationship between children’s rights, social control and business. Then, it is careful analysis of the process and content of the Commitment Pact drawn between CMDCA and CCBM. Finally, reflects on the limits and the possibilities of establishing a more active function for the social control and the children’s rights in the regulation of business.

Keywords: social control; children’s rights; business; great projects; Belo Monte HP.

 

Resumen
El artículo analiza la experiencia de responsabilización jurídica del Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) con relación a los derechos sexuales de niños y adolescentes a partir de estrategias políticas y jurídicas del Consejo Municipal de los Derechos del Niño y del Adolescente de Altamira (CMDCA), estado de Pará, en el contexto de construcción de la Usina Hidroeléctrica de Belo Monte. Para empezar, son discutidos aspectos teóricos y normativos de la relación entre derechos de los niños, control social y prácticas empresariales. A continuación, se hace un análisis detallado del proceso y del contenido del Pacto de Compromiso elaborado entre CMDCA y CCBM. Al final, se reflete sobre los límites y las posibilidades de ser establecido un papel más activo del control social y de los derechos de los niños y de los adolescentes en la regulación de las prácticas empresariales.

Palabras clave: control social; derechos de los niños; empresas; grandes emprendimientos; UHE Belo Monte.

 

*Apesar de haver uma diferenciação entre o plano internacional dos direitos das crianças, que não incorpora a categoria adolescente, e o âmbito nacional que trabalha com as duas categorias (crianças e adolescentes) para normatizar os direitos, a referencia no título a direitos das crianças deve-se apenas a opção de estilo, pois ao longo do texto se trabalha com a concepção vigente no Brasil de direitos das crianças e dos adolescentes.

 

[1] Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Brasília (UnB). Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA). Professor de Direitos Humanos do Curso de Etnodesenvolvimento da Faculdade de Etnodiversidade da UFPA, Campus de Altamira. Advogado. E-mail: assisdco@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1543002680290808.

Reflexões sobre a participação do Estado em minoria do bloco de controle: o caso da FIBRIA S/A

Silvia Marina[1]
Bianca Fortes[2]

 

Abstract
The relationship between state and private sector are coming true through public investment in the internationalization of national companies, with the role of development banks in this scenario. Active in countercyclical times both in privatization phases of the economy as nationalization, public banks lend or transformed into minority shareholders in private companies control blocks in various sectors of the economy. However, the lack of transparency as to the purposes of investments and the impact of public and private interests, incites discussion on the role of the state and the adequacy of domestic laws for the treatment of such challenges. It gets worse when we observe violations of human rights of people affected by economic activities of companies in which the state participates in the shareholding control block. This article presents reflections on the subject, analyzing the power sharing model if the company Fibria Celulose S / A.

Keywords: Human Rights and Bussiness. Public banks. Development.

 

Resumo
As relações entre Estado e setor privado vem se materializando por meio de investimentos públicos na internacionalização de empresas nacionais, com o protagonismo dos bancos de desenvolvimento neste cenário. Atuante em momentos anticíclicos,  tanto em fases de privatização da economia como de estatização,   bancos públicos emprestam ou transformam-se em acionistas minoritários em blocos de controle de empresas privadas, em variados setores da economia. No entanto, a falta de transparência quanto aos propósitos dos investimentos e a colisão de interesses públicos e privados,  acirra a discussão sobre o papel do Estado e a adequação da legislação doméstica para o trato de tais desafios. Isso se agrava, quando observam-se violações aos direitos humanos de populações afetadas por atividades econômicas de empresas, em que o Estado participa do bloco de controle acionário. O presente artigo,  apresenta reflexões sobre o tema, analisando o modelo de compartilhamento do poder no caso da empresa Fibria Celulose  S/A.

Palavras chave: Direitos Humanos e Empresas. Bancos Públicos. Desenvolvimento.

 

Resumen

Las relaciones entre Estado y sector privado se han materializado por medio de inversiones públicas en la internacionalización de empresas nacionales, con el protagonismo de los bancos de desarrollo en este escenario. Actuante en momentos anticiclicos, tanto en fases de privatización de la economía como de estatización, bancos públicos prestan o se transforman en accionistas minoritarios en bloques de control de empresas privadas, en variados sectores de la economía. Sin embargo, la falta de transparencia cuanto a los propósitos de las inversiones y la colisión de intereses públicos y privados aumentan la discusión sobre el papel del Estado y la adecuación de la legislación doméstica para lidiar con tales desafíos. La situación empeora cuando son observadas violaciones de los derechos humanos de poblaciones afectadas por actividades económicas de empresas, en cuales el Estado participa del bloque de control accionario. El presente artículo presenta reflexiones sobre el tema, analizando el modelo de compartir el poder en el caso de la empresa Fibria Celulose S/A.

Palabras clave: Derechos humanos y Empresas. Bancos Públicos. Desarrollo.

 

[1] Doutora em Direito pela UERJ e Mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ. Bacharel em Direito pela UERJ.

[2] Graduanda em Direito pela FGV-Rio.

Mineração e violações de direitos humanos: uma abordagem construcionista

Bruno milanez[1]
Rodrigo Salles[2]
Raquel Giffoni[3]

Abstract
In this article, we argue that the nationalisation of social contestation to mining in Brazil promoted the exchange of ideas and experiences between social movements and Non-governmental Organisations (NGOs), both from Brazil and abroad and, consequently, the emergence of claims related to human rights violation. We adopt a constructionist perspective and use document analysis as well as participant observation. Our evaluation suggests that most complaints relate to firms and economic projects; the State is mentioned as co-responsible and selectively neglectful. Therefore, we infer that the debate about human rights and mining, in Brazil, might consolidate a perspective of corporate violations.

Keywords: Mining. Environmental constructionism. Socioenvironmental conflict.

 

Resumo
Neste artigo argumentamos que o processo de nacionalização da contestação social à mineração no Brasil permitiu o intercâmbio entre movimentos sociais e Organizações Não-governamentais (ONGs) nacionais e internacionais, e a emergência de demandas associadas à violação de direitos humanos. Adotamos uma perspectiva construcionista e utilizamos métodos de análise documental e observação participante. A análise indica que as denúncias são voltadas para firmas e projetos, mencionando o Estado como ator corresponsável e seletivamente omisso. Assim, inferimos que o debate sobre direitos humanos e mineração no Brasil tende a consolidar uma perspectiva de violações corporativas.

Palavras-chave: Mineração. Construcionismo ambiental. Conflito socioambiental.

 

Resumen

En este artículo, argumentamos que el proceso de nacionalización de la contestación social a la minería en Brasil ha permitido el intercambio entre movimientos sociales y Organizaciones no gubernamentales (ONGs) nacionales e internacionales, y la emergencia de demandas asociadas a la violación de derechos humanos. Adoptamos una perspectiva construccionista y utilizamos métodos de análisis documental y observación participante. El análisis indica que las denuncias son dirigidas a las empresas y proyectos, mencionando el Estado como actor corresponsable y selectivamente omiso. De esta manera, deducimos que el debate sobre derechos humanos y minería en Brasil tiende a consolidar una perspectiva de violaciones corporativas.

Palabras clave: Minería. Construccionismo ambiental. Conflicto socioambiental.

[1] Doutor em Política Ambiental, Universidade Federal de Juiz de Fora, Departamento de Engenharia de Produção e Mecânica, Mestrado em Geografia. Coordenador do grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS). E-mail. bruno.milanez@ufjf.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7310974372819290.

[2] Doutor em Ciências Humanas (Sociologia), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia. Coordenador do grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS). E-mail: santosrodrigosp@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6470801142782000.

[3] Doutora em Planejamento Urbano e Regional, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Campus Volta Redonda. Integrante do grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS). E-mail: giffonipinto@yahoo.com.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8798162232506263.

 

Impactos da mineração e direitos humanos em Carajás/Pará

Adriana de Azevedo Mathis[1]

 

Abstract

The current intervention presents three purposes: (1) to try to expose, even if briefly, the concept of human rights that guides this analysis; (2) to suggest that the situations of economic, social and cultural rights violations are, in part, a byproduct of the political choice of an extractive development model for Latin America and the use of strategies of flexibilization, outsourcing and subcontracting of the work inherent to this model; (3) to present a small portrait of certain situations that involve of human and social rights violations in the Southeast of Pará, Carajás region, where the transnational company Vale and other business enterprises develop mining-metallurgical projects.

Key words: Human Rights, Development, Labor
Resumo
A presente intervenção apresenta três finalidades: (1) tentar expor, ainda que de forma breve, a concepção de direitos humanos que orienta esta análise; (2) sugerir que as situações de violações dos direitos econômicos, sociais e culturais são, em parte, resultado da escolha política de um modelo de desenvolvimento extrativista para América Latina e da utilização das estratégias de flexibilização, terceirização e subcontratação do trabalho inerente a este modelo; (3) apresentar um pequeno retrato sobre determinadas situações que envolvem violações de direitos humanos e sociais no sudeste do Pará[2], na região de Carajás[3], onde a transnacional Vale e outras empresas econômicas desenvolvem projetos minero-metalúrgicos.

Palavras-Chave: Direitos Humanos, Desenvolvimento, Trabalho

 

Resumen

La presente intervención presenta tres finalidades: (1) intentar exponer, aunque de manera breve, la concepción de derechos humanos que orienta este análisis; (2) sugerir que las situaciones de violaciones de los derechos económicos, sociales y culturales son, en parte, resultado de la elección política de un modelo de desarrollo extractivo para América Latina y de la utilización de las estrategias de flexibilización, tercerización y subcontratación de trabajo inherente a este modelo; (3) presentar un pequeño retrato sobre determinadas situaciones que envuelven violaciones de derechos humanos y sociales en el sudeste del Pará2 , en la región de Carajás3 , en donde la transnacional Vale y otras empresas económicas desarrollan proyectos minero metalúrgicos.

Palabras clave: Derechos humanos, Desarrollo, Trabajo

 

[1] Doutora em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Pós-Doutorado na Universidade Livre de Berlim-Alemanha. Professora do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal do Pará. E-mail: adriana.azevedo.mathis@gmail.com.
[2] O Estado do Pará, localizado na Região Norte do território brasileiro, compreende 144 municípios. É o segundo maior Estado do Brasil em extensão territorial (1.247.950 km2). Conforme os dados divulgados no artigo “Mineração na Amazônia. O Desafio de ser Sustentável”, In: Revista Brasil Mineral, Ano XXXI, outubro de 2014, registram-se “152,2 milhões de hectares de área do Estado destinados à produção mineral” e identifica-se a presença de inúmeros investimentos financeiros na indústria de extração e transformação mineral.
[3] A região de Carajás, localizada no sudeste do Pará, compreende os municípios de Canaã de Carajás, Curionópolis, Eldorado dos Carajás e Parauapebas. Também conforme a Revista Brasil Mineral de 2014, “tomando-se por base a arrecadação da CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração Mineral), a produção mineral no Pará alcançou a cifra de aproximadamente R$33,5 bilhões, quase um terço de toda a produção mineral brasileira registrada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), possibilitando uma arrecadação de R$803,8 milhões em CFEM”. Dentre os municípios localizados na região de Carajás, no sudeste do Pará, os que mais receberam CFEM (royalties provenientes da exploração mineral) foram Parauapebas (700 milhões), Canaã dos Carajás (37milhões) e Marabá (21 milhões). Desse modo, somente a região de Carajás é responsável pela produção de aproximadamente 140 milhões de toneladas/ano de minério de ferro.

The paradorx of precision future trajectories for the linkage between business and human rights

Sheldon Leader[1]

 

ABstract
We are coming to a crossroads in the on-going project of linking human rights standards to business activity. The project can move along one of two different paths. One is to keep the commitment to human rights protection relatively general and programmatic. It calls for broad adherence to the standards but only enters into specifics reluctantly. The details of what is required of a business on any given occasion are often left to ordinary principles of management. On this first path, human rights principles open a door to victims, but do not guide them after they go through the door so that they can raise concrete objections to a piece of behaviour. Sometimes human rights law does regulate business actions at the required level of detail, but on this first strategic path these occasions will be rare. On the second, alternative, strategic path human rights play a far more detailed role in dealing with particular situations. This essay indicates several examples of such a role. It argues that the first path promises impasse between business and human rights advocates, and a severe loss of enthusiasm for the project on both sides.  The second path is the one that will make a future for the linkage between business and human rights a viable one, ultimately capable of generating support from all who wish the project to move forward and to gain the momentum it needs.

Keywords: Human rights, business, sustainable development, competition among basic rights, weak consensus, strong consensus

 

Resumo
Estamos chegando a uma encruzilhada no projeto, em andamento, de ligação de direitos humanos à atividade comercial. O projeto pode mover-se em um dos dois caminhos diferentes. Um deles é manter o compromisso de proteção dos direitos humanos relativamente geral e programático, que exige ampla aderência aos padrões, mas entra em detalhes apenas com relutância. Os detalhes do que é demandado das empresas em dada ocasião são normalmente deixadas aos princípios habituais de gestão. Nesse primeiro caminho, princípios de direitos humanos abrem uma porta às vítimas, mas não as guiam após cruzarem a porta de maneira que possam levantar objeções concretas a determinado comportamento. Algumas vezes, leis de direitos humanos regulam atividade empresarial no nível exigido de detalhe, mas nesse primeiro caminho estratégico essas ocasiões serão raras. Na segunda, estratégia, alternativa, os direitos humanos cumprem um papel bem mais detalhado ao lidar com situações particulares. Este ensaio indica vários exemplos de tal papel. Argumenta-se que o primeiro caminho prenuncia um impasse entre empresas e defensores de direitos humanos, bem como uma perda severa de entusiasmo pelo projeto em ambos os lados. O segundo caminho é o que torna viável uma futura ligação entre empresas e direitos humanos, capaz de gerar apoio de todos que desejam que o projeto avance e ganhe o impulso que precisa.

Palavras-chave: Direitos humanos, empresas, desenvolvimento sustentável, competição entre direitos básicos, consenso fraco, consenso forte.
Resumen
Estamos llegando a una encrucijada en el proyecto, en funcionamiento, de conexión de derechos humanos con la actividad comercial. El proyecto puede moverse en uno de dos caminos distintos. Uno de ellos es mantener el compromiso de protección de los derechos humanos relativamente general y programático, que exige amplia adherencia a los estándares, pero entra en detalles solamente con reluctancia. Los detalles de lo que es demandado a las empresas en determinada ocasión son normalmente dejados a los principios habituales de gestión. En este primer camino, principios de derechos humanos abren una puerta a las víctimas, pero no las guían después de que ellas cruzan la puerta, de manera que puedan hacer objeciones concretas a determinado comportamiento. Algunas veces, leyes de derechos humanos regulan la actividad empresarial en el nivel exigido de detalle, pero en este primer camino estratégico esas ocasiones serán raras. En el segundo alternativo, estratégico camino, los derechos humanos cumplen un papel mucho más detallado al lidiar con situaciones particulares. Este ensayo indica varios ejemplos de dicho papel. Se argumenta que el primer camino prenuncia un impase entre empresas y defensores de derechos humanos, como también una pérdida severa de entusiasmo por el proyecto en ambos lados. El segundo camino es el que hace viable una futura conexión entre empresas y derechos humanos, capaz de generar apoyo de todos aquellos que desean que el proyecto avance y gane el impulso que necesita.

Palabras clave: Derechos humanos, empresas, desarrollo sostenible, competencia entre derechos básicos, consenso débil, consenso fuerte.

 

[1] Professor, School of Law, University of Essex and Director, Essex Business and Human Rights Project (EBHR)

 

Ponto cego do direito internacional dos direitos humanos: uma superação do paradigma estatocrêntrico e a responsabilidade internacional de empresas violadoras de direitos humanos

Melina Girardi Fachin[1]

Ana Carolina Ribas[2]

Ananda Hadah Rodrigues Puchta[3]

Bruna Nowak[4]

Débora Dossiatti de Lima[5]

Gabriela Sacoman Kszan[6]

Giulia Fontana Bolzani[7]

Guilherme Ozório Santander Francisco[8]

Lucas Carli Cavassin[9]

Abstract
The contemporary scenario of the International Human Rights Law is still primarily related to the state and its liability, based in a state-centered view. In this respect, while the rules of jus cogens give dynamism to the international field, they also contribute to its evolution towards individual protection. Considering serious human rights violations perpetrated by transnational corporations, private relations become bounded by the mentioned mandatory rules. Thus, it is possible to notice the engagement of international organizations in this sense, standing out the UN’s role about the issue of human rights and business. It is, therefore, imperative to interpret the International Human Rights Law as living corpus juris, in order to include companies as formal subjects of rights and duties.

Keywords: Human Rights. Companies. Sovereignty. Jus Cogens.

 

Resumo
O cenário contemporâneo do Direito Internacional dos Direitos Humanos ainda se volta primacialmente à figura do Estado e de sua responsabilização, numa visão estatocêntrica. Neste tocante, enquanto as normas de jus cogens conferem dinamicidade à seara internacional, contribuem também para a sua evolução em prol da pessoa humana. Frente às graves violações de direitos humanos perpetradas por empresas transnacionais, relações privadas passam a ser abarcadas por mencionadas normas imperativas. Com isso, percebe-se o movimento das organizações internacionais neste sentido, destacando-se o papel da ONU na questão de direitos humanos e empresas. Mostra-se imperativo, portanto, interpretar o Direito Internacional dos Direitos Humanos como corpus juris vivo, a fim de se incluir empresas como sujeitos formais de direitos e deveres.

Palavras-chave: Direitos Humanos. Empresas. Soberania. Jus cogens.

Resumen
El escenario contemporáneo del Derecho Internacional de los Derechos Humanos todavía se dirige principalmente a la figura del Estado y de su responsabilización, en una visión estatocéntrica. En este sentido, mientras las normas de ius cogens dan dinamismo al ámbito internacional, contribuyen también para su evolución en beneficio de la persona humana. Frente a las graves violaciones de derechos humanos perpetradas por empresas transnacionales, relaciones privadas comienzan a ser englobadas por mencionadas normas imperativas. Con eso, se percibe el movimiento de las organizaciones internacionales en este sentido, destacándose el papel de la ONU en la cuestión de derechos humanos y empresas. Se muestra imperativo, por lo tanto, interpretar el Derecho Internacional de los Derechos Humanos como corpus juris vivo, a fin de incluirse empresas como sujetos formales de derechos y obligaciones.

Palabras clave: Derechos Humanos. Empresas. Soberanía. Ius cogens.

 

[1] Doutora em Direito Constitucional pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP; Professora adjunta na Universidade Federal do Paraná – UFPR no Departamento de Direito Público; melinafachin@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/1368334568714375.

[2] Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; ana.ribas@live.com; http://lattes.cnpq.br/3228408489242020.

[3] Especialização em Direito Constitucional pela Academia Brasileira de Direito Constitucional – ABDConst; ananda.hadah.rp@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/2609598873943849

[4] Mestranda em Direito Humanos e Democracia pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; bruna_nowak@hotmail.com; http://lattes.cnpq.br/2145050149205077

[5] Especialização em andamento em Direito Constitucional pela Academia Brasileira de Direito Constitucional – ABDConst; dossiatti@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/5965407485259474

[6] Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; gabrielakszan@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/6686739593952033

[7] Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; giulia.bolzani@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/9829950184730418

[8] Mestrando em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; santanderguilherme@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/6294093253731134

[9] Graduando em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR; lucasccavassin@gmail.com; http://lattes.cnpq.br/5300719035511130.

 

Transnational corporations and human rights: what coverage for a binding international instrument?

Carlos M. Correa[1]

 

Abstract
The possible scope of the proposed ‘International Legally Binding Instrument on Transnational Corporations and other Business Enterprises with respect to Human Rights’ to be discussed at the Human Rights Council, is one of the key issues that will determine the likelihood of reaching an effective agreement within a reasonable time. This paper argues that the scope of said Instrument should be defined having in view the intended objective of said instrument: to resolve the issues raised by the ability of transnational corporations (and other businesses) to use their complex structures to escape the responsibility for human rights’ violations.

Key words: Human Rights Violations. Transnational Corporations. Businesses’ Responsibilities. Extraterritoriality. Human Rights Council.

 

Resumo

O possível escopo da proposta de “Instrumento Internacional Legalmente Vinculante de Corporações Transnacionais e outros Empreendimentos Comerciais em relação a Direitos Humanos” a ser discutida no Conselho de Direitos Humanos é uma das principais questões que determinarão a probabilidade de se chegar a um acordo efetivo em um tempo razoável. Este artigo argumenta que o escopo de tal Instrumento deveria ser definido tendo em vista o objetivo pretendido do dito instrumento: resolver as questões levantadas pela habilidade das corporações transnacionais (e outras empresas) em usar suas complexas estruturas para escapar da responsabilização por violações de direitos humanos.

Palavras-chave: Violações de Direitos Humanos. Corporações Transnacionais. Responsabilidade de Empresas. Extraterritorialidade. Conselho de Direitos Humanos.

 

Resumen
El posible alcance de la propuesta de un “Instrumento Internacional Legalmente Vinculante de Corporaciones Transnacionales y otros Emprendimientos Comerciales con relación a Derechos Humanos” que va ser discutida en el Consejo de Derechos Humanos es una de las principales cuestiones que determinarán la probabilidad de se llegar a un acuerdo efectivo en un tiempo razonable. Este artículo argumenta que el alcance de tal Instrumento debería ser definido teniéndose en cuenta el objetivo pretendido por el dicho instrumento: resolver las cuestiones que surgen por la habilidad de las corporaciones transnacionales (y otras empresas) en utilizar sus complejas estructuras para escapar de la responsabilización por violaciones de derechos humanos.

Palabras clave: Violaciones de Derechos Humanos. Corporaciones Transnacionales. Responsabilidad de Empresas. Extraterritorialidad. Consejo de Derechos Humanos.

 

[1] Director of the Centre for Interdisciplinary Studies on Industrial Property and Economics Law, at the University of Buenos Aires. author of several books and numerous articles on law and economics, particularly on investment, technology and intellectual property. His recent publications include work on intellectual property and international trade; integrating public health.